James Bond ficou preso por muito tempo entre a nostalgia de GoldenEye e uma longa lista de adaptações esquecíveis. No entanto, havia a IO Interactive, um estúdio brilhante por trás de Hitman, mas que precisava provar que podia construir algo maior, mais cinematográfico e muito mais emocionante.
007 First Light não tenta reinventar o personagem do zero. O que faz é algo muito mais complexo: constrói... Uma versão jovem, imperfeita e surpreendentemente humana do agente mais famoso do cinema. misturando infiltração, ação e espetáculo com muito mais personalidade do que parecia nos trailers.
Um personagem mais interessante
Aqui não controlamos o Bond que entra numa sala de smoking impecável e parece sempre ter dez planos prontos. Estamos lidando com um jovem agente que ainda está aprendendo a se tornar o monstro de sangue frio que conhecemos.

First Light funciona quase como uma história de origem secreta. Há perseguições, conspirações internacionais, vilões carismáticos e engenhocas impossíveis. Mas também existe uma constante sensação de aprendizado e evolução. Bond comete erros, improvisa e toma decisões impulsivas. Às vezes, parece até que ele está sobrevivendo apenas por intuição.
O script nem sempre mantém o mesmo nível. Existem alguns curvas previsíveis E alguns personagens secundários desaparecem da trama muito rapidamente, mas, no geral, o filme consegue algo muito difícil: tornar essa nova versão de Bond interessante mesmo quando as explosões param.
As raízes de Hitman
Sim, o DNA do Hitman está presente. Existem níveis relativamente abertos. Múltiplas maneiras de abordar os objetivos, rotas alternativas e um design que valoriza a observação. Mas First Light não busca a liberdade quase obsessiva da saga do Agente 47.
Há momentos em que você pode analisar uma situação por vários minutos antes de agir, e outros em que o jogo te joga diretamente em perseguições, infiltrações improvisadas ou sequências espetaculares que parecem ter saído de um blockbuster de Hollywood.

Quando uma missão começa a parecer muito lenta, Uma sequência de ação é exibida. Quando o espetáculo ameaça se tornar um mero corredor interativo, o jogo lhe dá espaço para planejar novamente.
Uma luta muito bem executada.
Os confrontos combinam contra-ataques, esquivas e animações altamente coreografadaspara que transmitam uma constante sensação de controle e brutalidade elegante. Bond não luta como um super-herói, mas também não luta como um soldado convencional.
O interessante é como ele coexiste com as outras ferramentas disponíveis. Você pode recorrer à furtividade, usar dispositivos, criar distrações ou resolver certas situações diretamente com tiros. Nenhuma das opções parece totalmente errada.

Talvez a filmagem seja a parte menos brilhante de todo o filme. Funciona bem, tem impacto e cumpre o seu papel durante as sequências mais explosivas, mas raramente atinge o mesmo nível da infiltração ou do combate corpo a corpo.
Parece que a IO Interactive ainda se sente mais à vontade criando tensão do que projetando tiroteios.
convicção visual
Algumas sequências lembram muito jogos como Uncharted 4 em seu estilo. Combina ação, narrativa e espetáculo visual. A diferença é que aqui existe sempre um ligeiro componente de espionagem que impede que tudo se torne uma montanha-russa sem contexto.
Não atinge o nível de loucura das melhores cenas da Naughty Dog, mas também não tenta competir diretamente com elas.

Os ambientes são enormes, repletos de detalhes e perfeitamente dimensionados para a fantasia internacional de James Bond. De complexos militares a cassinos de luxo e instalações secretas escondidas em locais improváveis, o jogo transmite constantemente a sensação de uma produção multimilionária. Patrick Gibson consegue criar uma versão extremamente crível do jovem Bond, muito diferente de imitações fáceis e com carisma suficiente para sustentar toda a aventura. Além disso, O desempenho geral é bastante bom na versão para PlayStation 5 que testamos.

Mas é uma mistura estranha; há momentos em que busca ser uma experiência de espionagem tranquila, repleta de observação e planejamento. E outros em que se concentra no puro espetáculo, quase sem restrições.
Opinião do editor
A IO Interactive compreende o personagem, respeita seu legado e, ao mesmo tempo, ousa construir algo diferente. A mistura de furtividade, ação cinematográfica e narrativa funciona. O combate tem personalidade, os ambientes são excelentes e a campanha mantém um ritmo muito sólido durante quase toda a aventura.
Nem todos os elementos se encaixam com a mesma precisão, mas Precisamente por não tentar copiar ninguém, acaba encontrando uma identidade muito singular.
Após tantos anos de ausência, Bond retorna aos videogames com algo muito mais importante do que nostalgia: uma direção clara para o futuro.