Já ouvimos falar de casas inteligentes há anos, embora muitas vezes essa inteligência se limite a ligar um eletrodoméstico pelo celular, algo que, pessoalmente, nunca considerei revolucionário. A Beko Europe quer ir além e propõe uma inovação centrada em três ideias: legado, design e propósito. Em termos menos corporativos, a empresa pretende tornar seus eletrodomésticos fáceis de usar, consumir menos recursos e facilitar nossa vida. Uma proposta razoável em um mercado onde, às vezes, parece que adicionar uma tela ou uma conexão Wi-Fi já justifica uma nova geração.
Essa estratégia é implementada principalmente por meio da Beko e da Whirlpool. A Beko se concentra em levar tecnologias eficientes e confiáveis a um público amplo, enquanto a Whirlpool adota um posicionamento mais premium, enfatizando o design e a automação. Ambas compartilham uma ideia sólida: a tecnologia só tem valor quando resolve problemas reais. De acordo com um estudo da Beko Europa, 73% dos espanhóis só se interessam pela inteligência artificial aplicada a eletrodomésticos quando ela economiza tempo ou reduz o consumo de energia. Além disso, 47% desejam adotar hábitos mais sustentáveis, mas sem adicionar novas tarefas à sua rotina. Isso não é surpreendente. Ninguém quer que a economia de energia seja apenas mais uma obrigação a ser lembrada todas as manhãs. A sustentabilidade funciona melhor quando integrada ao próprio eletrodoméstico e opera de forma quase imperceptível. O estudo também destaca a carga mental associada às tarefas domésticas: 64% admitem antecipar constantemente as tarefas domésticas e 63% gostariam de compartilhar esse planejamento. É aqui que a inteligência artificial capaz de aprender nossos hábitos, ajustar horários e gerenciar o consumo automaticamente pode fazer sentido.
A demonstração mais clara dessa visão será a Genesis, a futura linha premium da Whirlpool, prevista para 2027. A oferta combinará materiais de alta qualidade, um design consistente em diferentes categorias, conectividade e sistemas capazes de detectar padrões de uso para ajustar seu funcionamento. No papel, parece promissor, mas teremos que ver se esses recursos proporcionam conveniência real ou se acabarão escondidos em um aplicativo que abrimos duas vezes. Esse será o verdadeiro teste. A casa do futuro não precisa de eletrodomésticos que se gabem de sua inteligência, mas sim de eletrodomésticos que conservem melhor os alimentos, usem menos energia e nos permitam esquecer certas tarefas. Se a Beko Europe conseguir fazer com que toda essa tecnologia funcione silenciosamente, sem complicar a experiência do usuário ou aumentar os preços, então estaremos realmente diante de uma evolução útil, e não apenas de mais uma coleção de recursos criados para embelezar as especificações técnicas.